WRC + Brasil = Erechim?



Muito se falou em uma etapa do WRC, o Campeonato Mundial de Rally da FIA no Brasil em 2013, e pelas informações vindas dos possíveis organizadores e da CBA, Erechim sequer foi cogitada. Enquanto isso haviam os preparativos para a realização da etapa erechinense dos campeonatos Sulamericano, Brasileiro e Gaúcho de Rally de Velocidade que aconteceram em Maio.
Durante a realização do evento muitas faixas foram exibidas pelo público, que novamente encheu as especiais, pedindo que o WRC seja realizado em Erechim. Público aliás que foi calculado em aproximadamente 70 mil pessoas durante os dias de disputa. Detalhe para o fato de que a população de Erechim é de aproximadamente 100 mil habitantes.

Entre os organizadores do rally erechinense, é unânime a vontade de ver uma etapa do WRC percorrendo as estradas da região do Alto Uruguai, e ao mesmo tempo todos sabem que a distância entre querer e conseguir é bem longa. E por isso estou escrevendo essas linhas. É possível uma cidade do interior gaúcho comportar uma etapa de campeonato mundial da FIA?

Minha resposta é: Por que não?

Temos exemplos clássicos de cidades pequenas sediando eventos FIA, de maior porte, como as corridas da Fórmula 1 em Nurburgring, que fica localizada num vilarejo de menos de 200 habitantes, a 70km da cidade mais próxima, Colônia. Ou então a última sede do Grande Prêmio da França, o circuito de Magny-Cours, localizado entre a cidade homônima e Nevers, com aproximados 50 mil habitantes.

Mas alguém há de dizer que não há como comparar cidades pequenas da europa com equivalentes brasileiras. E é verdade, mas não estamos aqui falando de uma cidade de 5 mil habitantes encravada no meio do pampa gaúcho, longe de tudo e de todos. Mas de uma cidade que se diz pólo, com os já mencionados 100 mil habitantes, centro de uma região próspera no ramo agrícola, com uma indústria sólida e distante apenas 80km de outra cidade ainda maior, Passo Fundo, que também é importante em sua região, o Planalto Gaúcho.

Erechim de fato hoje não possui estrutura e possivelmente dinheiro para abrigar tal evento, mas não se pode dar ao luxo de não tentar trazê-lo. Boas parcerias poderiam ajudar a garantir o dinheiro necessário para tal, e uma política local de incentivo, poderia ajudar a conseguir a estrutura responsável para acomodar equipes e as centenas de milhares de torcedores que com certeza viajariam para prestigiar esse evento.

Não é somente Erechim que carece de vagas na rede hoteleira. Cidades sede da Copa do Mundo de Futebol como Curitiba também são deficitárias nesse aspecto, e tem pouco tempo para correr atrás do prejuízo. Há muito dinheiro sendo “distribuído” pelo governo através de PAC da copa, PAC daquilo, PAC daquele outro. E Erechim deveria se aproveitar de tantos PAC disponíveis para incentivar e atrair esse ramo de atividade que é tão carente hoje para que num futuro próximo seja capaz de encarar um desafio de tamanha magnitude.

Durante os anos que cobri o Rally Internacional de Erechim, vi todas as autoridades, sejam elas políticas ou desportivas rasgarem todos os elogios possíveis tanto ao apaixonado público que se faz presente quanto à organização do evento. Mas elogios não enchem a barriga de ninguém. E está mais do que na hora de alguém bater no peito e encarar essa empreitada: CBA, Prefeitura de Erechim, Governo do Estado, iniciativa privada. Seja quem for se fizer do jeito certo, não há maneira de dar errado.

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