Sobre o Canadá



Todos sabem que a motivação desse site é o Automobilismo, mas como estou tomando gosto por escrever, resolvi criar uma nova coluna para o InsideRacing que vai tratar apenas de assuntos alheios ao seu tema principal, acaba de nascer a coluna “Por Fora”. E um bom assunto para a primeira coluna é outro tema que tem tomado minha atenção nos últimos tempos, devido à minha vontade de emigrar para o Canadá.

Pois bem, se quero emigrar para um país estrangeiro, nada melhor que conhecê-lo antes de ir morar, pois poderia existir a chance de após todo o tortuoso processo, a pessoa chegar lá e não gostar – seja do frio, ou dos alces, ou do hockey, talvez. Então, para evitar esse possível futuro desgosto, viajei com minha esposa para o Canadá em pleno inverno para passar as férias, enquanto todos os meus colegas de trabalho iam para a praia e voltaram bronzeados.

Esse texto tem a finalidade de expressar minhas impressões sobre aquele país tentando fugir um pouco do clichê de que lá é um país perfeito, onde tudo funciona bem, mas que o frio é um grande problema e blablabla.

Vou enumerar algumas coisas que percebi e que me surpreenderam bastante e positivamente. Uma delas foi a educação das pessoas, desde o motorista de ônibus até os caixas de supermercado, que sem exceção nos davam cumprimentavam com um sorriso que perceptivelmente não era forçado.

Outro item que, vergonhosamente (para nós brasileiros), me deixou estupefacto foi como as coisas funcionam pelo bem das pessoas. Exemplos disso não faltam, mas vai alguns: o sistema de transporte público que, ao contrário do Brasil, funciona de forma eficiente e tem calefação, pois as pessoas precisam disso depois de esperarem a temperaturas como -10ºC. Isso é se preocupar com as pessoas (que pagam pelo serviço e pagam seus impostos). A operação de retirada da neve das ruas (chamada de Deneigement em Quebec) ocorre 24 horas por dia, pois se deixarem acumular, pessoas podem se ferir ou morrer em acidentes de trânsito. Nas cidades grandes existe o Underground (“cidade” subterrânea) que une dezenas ou centenas de prédios e tem a única finalidade de facilitar o deslocamento das pessoas no rigoroso inverno canadense. E isso não nasceu por imposição do governo, veio das empresas proprietárias dos prédios, lojas, shoppings que lá existem e viram que seria melhor criar uma ligação entre eles sem a necessidade de sair para as ruas.

Mas existem problemas sim. Vimos muitos pedintes e moradores de rua, num número incomparávelmente menor do que no Brasil, mas os vimos. Há pessoas mal educadas por lá também, vimos pessoas furando filas, maus motoristas, engarrafamentos. Acho que poderia citar centenas de fatos que são corriqueiros para nós, mas que lá são a exceção. E o que me deixou muito descontente na volta é que a exceção para os canadenses é a regra por aqui. Lá o político corrupto é exceção (e é punido), aqui… Lá o cara jogando bituca de cigarro é exceção, aqui…

Chega de problemas! Voltando ao lado positivo. Aprendi que o lema da província do Quebec é “Je me Souviens” que significa “Eu me recordo”. Tanto o povo do Quebec quanto o governo mantém a lembrança do seu passado, de quem formou a nação, de seus heróis (mesmo os anônimos que morreram em guerras). Isso faz com que as pessoas dêem valor ao que possuem hoje, já que foi conseguido com muita dificuldade por seus antepassados, mesmo que distantes.

As crianças são lembradas em quase todos os lugares. Qualquer museu, aquário, parque ou outra atração que possa existir possui um local específico para elas. E esse local normalmente tem a finalidade de atrair sua atenção e ensinar. E não ser apenas um local para largar o pirralho enquanto os pais se divertem. Vimos inúmeras famílias visitando esses lugares que servem também para integrar e unir pais e filhos. Ao passo que os museus brasileiros se preocupam unicamente em atrair um público mais “culto e elitizado”, que na minha opinião é a coisa mais pobre que se pode fazer com um local tão importante como são os museus.

Essas foram as melhores impressões que tive do grande Canadá, juntamente com o fato de que temperaturas de -20ºC não são tão ruins como alguns falam (desde que você esteja bem vestido) pois eles possuem infraestrutura para suportá-las. E de fato, passei menos frio nesse inverno canadense, do que tomando banho no inverno de Curitiba.

E, apenas para mostrar o lado oposto, pouco tempo depois de voltar dessa viagem, Curitiba se depara com 2 dias de greve dos motoristas e cobradores, que fez com que 100% da frota ficasse parada nas garagens. E no mesmo dia tenho que aturar vizinho ensinando e incentivando o filho de uns 3 anos a jogar aqueles estalos (ou estalecas) quase às 22:00 no meio do condomínio para incomodar o máximo de pessoas possível, e quando o questionei por que fazer isso se incomoda os outros, fui informado de que ele se deu o direito de fazê-lo por que queria. Bom. Como dizem (e ele mesmo proferiu essa pérola) “os incomodados que se retirem”, é o que farei.

1 comment

  1. maickon disse:

    bacana seu relato, qual o método de imigração esta buscando, também sou de Curitiba.

Leave a comment

All fields marked (*) are required

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.