Receita Inédita



Ingredientes

– 1 ou mais dirigentes bem intencionados (a gosto)

– 1 ou mais montadoras (a gosto)

– 1 Promotor de eventos competente e bem intencionado

– 1 regulamento desportivo bem escrito

– 1 regulamento técnico que permita disputas equilibradas

Modo de preparo

Pega-se primeiramente 1 ou mais dirigentes bem intencionados (conforme a necessidade) para fazer um bom trabalho de bastidores junto a montadora(s) para convencê-la(s) a entrar num campeonato competitivo de forma oficial, cedendo partes de carros a serem utilizados em pista. Esse(s) dirigente(s) devem nessa hora usar de métodos de persuasão, se possível um ingrediente secreto, mas muito difícil e demorado de conseguir, como apoio de algum deputado federal disposto a ajudar e criar um projeto de lei que dê algum tipo de isenção fiscal a montadoras que apóiem o esporte a motor. E argumentos: como fornecer os veículos antes mesmo de sair da linha de produção, apenas a carroceria pronta para receber as medidas de segurança que um carro de competição necessita, além de continuar fornecendo peças, mas por um preço bastante abaixo do preço final do modelo numa loja, e poderia até mesmo “emprestar” técnicos de determinadas áreas numa forma de troca de conhecimentos.

Nesse meio tempo, os regulamentos técnico e desportivo tem que ser preparados em banho maria e com muito cuidado para não passar do ponto e deixar que as corridas sejam ganhas ou perdidas apenas na pista. Para isso pode-se tomar como exemplos alguns regulamentos de outras categorias brasileiras nos últimos anos (cheias essas, diga-se, de maus exemplos).

Por último mas não menos importante, o promotor de eventos tem que ser comprometido com a causa e competente o suficiente para ajudar a angariar patrocinadores e boa cobertura de TV e outras mídias, afinal sem aparecer, não há competição que resista.

Essa receita certamente é muito difícil de se pôr em prática, pois o principal ingrediente é também o mais raro para se conseguir, bem como o ingrediente secreto que além de poder acelerar o processo, pode atrasar em décadas dado o que se vê nos noticiários acerca de aprovações de projetos de lei, o quão demorado pode ser.

O fato é que o automobilismo brasileiro precisa se redescobrir (palavrinha da moda) como muito se tem falado nos últimos tempos, mas pouco se tem feito. Mesmo com o aparecimento de competições monomarcas com apoio das respectivas fábricas, o ganho técnico e desportivo delas (com todo o respeito que tenho por elas) é pequeno, pois elas são caras e servem basicamente de diversão a gentlemen drivers.

A ideia dessa receita é gerar competitividade, como a que vemos em países que possuem competicões envolvendo marcas, como no V8 Supercars da Austrália, na DTM alemã e como já se viu nos anos 60 aqui mesmo com competições acirradíssimas e muita rivalidade entre DKW e Simca que possuíam equipes oficiais de fábrica. E desnecessário dizer que vieram dessa época os maiores ídolos e os melhores pilotos que já surgiram por essas bandas.

Se ninguém havia pensado assim, espero ter jogado a semente no ar. Se algum dia ela florescer, ótimo. Caso contrário, eu fiz a minha parte.

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