Por que ir nas 6 horas de São Paulo?



Nós, amantes do automobilismo teríamos incontáveis motivos para assistir in loco às 6 horas de São Paulo. Mas para um esporte que vem sucumbindo à má administração, pouca divulgação e falta de ídolos, essa etapa do Mundial de Endurance – FIA WEC – ganha importância inestimável e se bem aproveitada em termos de divulgação, pode servir como uma boa plataforma para aumentar o número de fãs do esporte.
O que existe no Brasil é uma grande quantidade de pessoas que se diz fã de esporte a motor, mas que na verdade só assistia às corridas de Fórmula 1 na época do Senna, e após a sua morte acompanha eventualmente as corridas dominicais. Uma quantia menor de pessoas continua assistindo às corridas de Fórmula 1, porém se perguntados a respeito de outras categorias do esporte a motor, possivelmente não terão muito a falar.
Se houver uma movimentação por parte da organização das 6 horas de SP para uma boa divulgação que consiga atrair essas pessoas a Interlagos, envolvê-las, fazê-las conhecer a essência das corridas de Endurance acredito que seria um ganho enorme em interesse e quantidade de pessoas que realmente gostem do esporte.
Acredito que o Endurance tem tudo o que a Fórmula 1 oferece para atrair público, e mais um pouco: tecnologia de ponta, carros incríveis, grandes pilotos, grandes disputas na pista, grandes marcas automobilísticas, e por último, mas não menos importante: a Velocidade, afinal os Protótipos P1 passam facilmente dos 300km/h antes da freada para o S do Senna. E ainda há uma vantagem: ao invés de corridas de no máximo 2 horas, temos 6 horas de corrida! (não brinca!!!)
Mas 6 horas? Não é meio chato ficar 6 horas sentado naquelas arquibancadas duras? A organização do evento promete que o fim de semana da corrida será recheado com inúmeras atividades intra e extra pista, como “atrações de lazer e cultura como exposições, shows musicais, parque para crianças e o espaço Village, uma mini cidade que concentrará estas atividades sempre envolvendo o assunto automobilismo no espetáculo”, conforme divulgado.
É uma tendência que segue a filosofia das 24 Horas de Le Mans, em que um parque fica instalado ao lado da pista (com a famosa roda gigante iluminada que proporciona fotos incríveis), além é claro dos shows que acontecem durante o Mais Longo dos Dias. Não há como comparar, mas desde que as atrações sigam e consigam cumprir com seu propósito, não vejo motivos para não ter famílias inteiras, ou pelo menos pais levando seus filhos para um domingo diferente e sem futebol.
O próximo dia 1 de Setembro marcará apenas a segunda edição dessa corrida que foi trazida por ninguém menos que Emerson Fittipaldi, o maior pioneiro do automobilismo brasileiro. Aquele que abriu as portas da Fórmula 1, da Fórmula Indy, e agora, não mais na função de piloto, mas de organizador, tenta abrir os olhos do Brasil para as corridas de Endurance. Torço fortemente que essa nova jornada tenha o maior sucesso e que o FIA WEC tenha vida longa, assim como as 6 horas de São Paulo, pois há uma grande tradição por trás das corridas de longa duração que parece ter-se perdido em nosso país e que precisa ser resgatada.

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