O Paradoxo do Automobilismo Brasileiro



Bom, para quem não tinha o que escrever até meia hora atrás, acho que já vou conseguir escrever umas boas linhas nessa primeira coluna. Inicialmente apresentar-me-ei: Mateus Longo é meu nome e sou formado em Ciência da Computação pela UFPR, sou viciado à primeira vista, como se diz, pelo automobilismo. Desde que pisei no Autódromo Internacional de Curitiba em 1999 para assistir a uma etapa da Stock Car, é que não consigo mais viver longe da borracha queimada, cheiro de gasolina e ronco de motor.

Em 2004 tive a ideia de fundar o site apenas para mostrar fotos do nosso automobilismo, já que àquela época eram parcas as fontes de imagens de corrida no Brasil. De lá para cá o site só cresceu em número de fotos e mudou a aparência algumas vezes, mas agora chegou a hora de virar gente grande.
Mudamos o foco (sem nenhum trocadilho fotográfico), mas não inteiramente. As galerias continuam, e sempre existirão. Mas agora temos conteúdo. Temos a missão agora não somente de mostrar, mas também de informar: “que tipo de carro corre na Stock Car?” “A Peugeot tem motor V8 no 307?” “Os caminhões da Truck são originais?” são algumas perguntas que as pessoas me perguntam às vezes. E agora o InsideRacing vai responder. E vai opinar também, ou dar pitacos, como dizem por aí.

Como já disse, não tinha a menor ideia do que escrever nessa primeira coluna, quando pensei em algo em que não lembro de ter lido ainda sobre esse assunto batido que é a decadência do automobilismo brasileiro: nunca tivemos tantas categorias internacionais (relevantes) correndo em solo nacional, ao mesmo tempo em que lá fora temos cada vez menos pilotos se sobressaindo nas categorias de base e na Formula 1.

Puxando da memória, consigo lembrar que tivemos nos últimos anos etapas de categorias como: FIA WTCC, FIA GT1, Le Mans Series, IRC, o retorno da Indy, além de presença de gris fortíssimos nos últimos Rally dos Sertões em conjunto com a criação da Sertões Series.

Muito bem, tivemos uma boa exposição perante o mundo com essas etapas em solo nacional, mas e qual o fruto disso? Nasceram algumas competições novas, que não podem deixar de ser mencionadas, como a GT3 Brasil em 2007, o Racing Festival e o Mini Challenge em 2010, e agora o novo Brasileiro de Marcas, e o Mercedes Challenge em 2011. Mas estas são categorias dos chamados Gentlemen Drivers (nada contra eles, por favor!!) mas a única iniciativa que se lembrou do automobilismo de base foi a F-Future Fiat, dentro do Racing Festval, que foi uma notável iniciativa do Felipe Massa que sabe muito bem das dificuldades de se formar um piloto de ponta aqui no Brasil.

Mas o paradoxo todo se encontra no fato de que enquanto hoje temos Viper, Lambo, Ferrari, Porsche e demais super-carros correndo pelos autódromos brasileiros, temos uma quantidade cada vez menor de jovens promessas. Grids minguados na F-Future Fiat, poucos jovens pilotos nas Formulas de base européias.

Contrário a isso, tínhamos nos anos 70/80/90 muito menos investimento financeiro no nosso automobilismo, mas muitas categorias tanto de base quanto de turismo correndo pelos poucos autódromos que existiam. Ao mesmo tempo em que tínhamos 2 títulos mundiais com Emerson Fittipaldi nos anos 70, 4 nos anos 80 com Piquet e Senna, além dos últimos 2 dele nos anos 90.

Tendo isso em mente, fica a questão: o problema está somente relacionado a dinheiro/publicidade/divulgação ou má administração dos “gestores” do automobilismo (CBA) ou outra coisa?

Sei que fugi bastante do assunto no começo e a coluna ficou longa por pura divagação, mas prometo melhorar nas seguintes.

Até a próxima!

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