Os Donos do Brasil



Os livros de história dizem que o Brasil se tornou independente em 7 de Setembro de 1822. Esse fato é imutável. Porém, essa foi uma independência temporária, ou relativa. Os fatos que ocorreram nessa semana dos últimos dias de Novembro e primeiros dias de Dezembro de 2016 também são imutáveis, e eles mostraram que existem dois “Brasis”: o Brasil do povo que trabalha, que tem sentimentos e que sofre com a inominável tragédia do acidente que vitimou 75 pessoas a caminho de Medellin para a final da Copa Sulamericana; e o Brasil dos “donos” dessa terra, que em pleno momento de luto e de sofrimento, se reúnem para, na calada da noite, aprovar leis que não só afrontam e contrariam um pedido da sociedade, como descaradamente mostram quem é que manda nisso tudo.

Esse e outros fatos desses mais de 500 anos de história do Brasil me fazem pensar que na prática nunca deixamos de ser colônia. Não mais uma colônia portuguesa de exploração, mas uma colônia de exploração dos 500 e poucos “donos” do Brasil, os congressistas e governantes que se revezaram por todo esse tempo, sugando o dinheiro gerado pelos impostos do árduo trabalho dos explorados.

Mas essa semana foi emblemática, pois eles não só desfiguraram o Projeto das 10 Medidas contra a Corrupção, como deixaram a clara mensagem de que estão ali APENAS para defenderem a si próprios, ao invés de representarem o povo (como deveria ser numa democracia). E não existe panorama de mudança no futuro, pois essa mentalidade política não tem como mudar devido à estrutura legislativa vigente no Brasil. Além disso, quando o povo sai nas ruas para protestar, vai dividido entre “coxinhas” e “petralhas” defendendo esses dois fictícios lados de uma moeda que só beneficia o único lado político existente hoje, em que o povo sempre sai perdendo.

O povo esse, que ainda é capaz de demonstrar civilidade, humanidade e esperança nesses momentos de tristeza precisa acreditar mais na força que tem, e se unir contra esses donos do Brasil para enfim deixar de ser essa colônia de si próprio. Caso contrário, o jeito será fugir para as colinas, pois o prognóstico não é dos mais favoráveis.

1 comment

  1. Rafael disse:

    Acrescento que, enquanto o brasileiro “não gostar de política”, e achar que não adianta ir às ruas, pois “nada irá mudar”, realmente nada irá mudar.
    O protesto tem que ser de várias formas, incluindo boicote maciço a produtos de empresas envolvidas em corrupção.

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