Corram pro interior!



Muito se tem falado na saúde do automobilismo brasileiro. Que ele está na UTI todos sabem, e provas disso não faltam: resultados escassos e poucos pilotos na Fórmula 1, categorias nascendo e morrendo em poucos anos, ausência de categorias de base, arquibancadas vazias… e eu poderia continuar enumerando por mais dois dias. Mas não quero aqui achar a causa raiz do problema. Gostaria apenas de trazer à tona o que poderia ser a salvação do esporte a motor, pelo menos no quesito popularidade.
E por mais contrassenso que isso possa parecer, o certo é levar o automobilismo para o interior, longe da badalação, das capitais e dos grandes centros. Já temos casos de grande sucesso, como autódromos em cidades como Cascavel, Guaporé ou Londrina que quase sempre lotam nos eventos lá realizados, e o sempre bem sucedido Rally Internacional de Erechim, que leva dezenas de milhares de pessoas aos trechos.
Em nosso país existe uma preferência em atrair investimentos para as capitais, e construir um autódromo requer grandes quantias de combustível financeiro, que até as grandes cidades teriam dificuldades de atrair, quem dirá uma cidade do interior.
O contraponto disso é que se houvesse apoio de todas as esferas de governo, contando é claro, que elas entendessem que o retorno financeiro que grandes eventos trazem à região do autódromo é enorme, tais empreendimentos seriam possíveis e da mesma forma que há autódromos espalhados por todo o interior dos EUA poderíamos quem sabe dobrar o número de praças automobilísticas que temos hoje.
Mas por que uma pista no meio do estado ao invés de perto da capital? Sabemos que nas capitais e grandes cidades a vida das pessoas tem um ritmo enlouquecedor por conta do trabalho, do trânsito e outros fatores, além de possuírem incontáveis atrações para as famílias, como shoppings, parques, etc. Enquanto nas cidades pequenas a vida é mais tranquila, e as opções de lazer disponíveis às famílias existem em menor número.
Além disso, é mais fácil promover uma campanha de marketing numa comunidade menor e obter maiores resultados, do que o mesmo numa grande cidade. E nessas cidades os moradores criam um certo orgulho por terem em suas cidades tais eventos. Tal sentimento contagia a todos na comunidade e até mesmo os competidores e envolvidos na organização do evento. Qualquer competidor ou espectador do Rally de Erechim pode confirmar isso.
Agora, resta esperarmos que a receita atual continue sendo usada, ou que alguém com coragem suficiente arrisque para sabermos se essa teoria é ou não verdadeira.

Leave a comment

All fields marked (*) are required

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.